Venda de casas e crédito à habitação ao rubro em tempos de pandemia “à boleia” dos estrangeiros

O mercado imobiliário, em concreto o segmento residencial, respira saúde, mesmo em tempos de pandemia da Covid-19. O negócio da compra e venda e da troca de casas segue em alta e os bancos parecem não estar a fechar a torneira do crédito à habitação, nomeadamente a estrangeiros, que continuam atentos ao mercado nacional. Um cenário que permite perspetivar o setor está em franca recuperação e a dar uma boa resposta à crise pandémica.

A recuperação a que estamos a assistir este ano é absolutamente extraordinária”, disse Rui Torgal, diretor da ERA Portugal, citado pelo Público. O responsável destaca o facto da mediadora imobiliária ter atingido em março de 2021 os melhores resultados desde dezembro de 2019, ou seja, ainda em tempos pré-pandemia. 

Também Patrícia Barão, diretora do departamento residencial da JLL, fala “num mercado muito dinâmico, muito próximo do verificado antes da pandemia”. O otimismo reina igualmente na Savills, que está a registar vendas “muito acima das verificadas em 2020”, escreve a publicação, citando Ricardo Garcia, diretor da área residencial da consultora imobiliária.

A “alimentar” o dinamismo do mercado nos primeiros meses deste ano está o teletrabalho, visto que muitas pessoas, neste caso portuguesas, estão a trocar de casa, optando por espaços maiores, como por exemplo jardins e/ou terraços, ou a compra uma segunda habitação fora das grandes cidades. 

Paralelamente, há também mais investidores estrangeiros “às compras” em Portugal. Disso mesmo dão conta Ricardo Garcia e Pedro Megre, diretor-geral da UCI Portugal, adiantando que estão a crescer as aquisições por parte de estrangeiros que pretendem trabalhar remotamente a partir de Portugal. Citado pelo Público, Pedro Megre referiu, no entanto, que ainda “se está longe do período pré-pandemia”, uma tendência que ganhará força quando estiver garantida “a saída limpa da pandemia”.

Patrícia Barão confirma que os clientes estrangeiros da JLL – a consultora trabalha sobretudo com investidores internacionais – estão também eles a recorrer mais ao crédito, algo que não acontecia tão frequentemente no passado mais recente. “Muitos dos clientes que estão a comprar casa em Portugal fazem-no com recurso a crédito pelas baixas taxas de juro praticadas, mas também, e esse é um aspeto muito elogiado, pela celeridade de resposta das instituições bancárias”. 

De acordo com a responsável, entre os clientes a recorrer ao crédito hipotecário estão “americanos, ingleses, franceses e brasileiros”, que na maioria das vezes optam por contratos com taxa fixa.

Pedro Megre revelou que no caso da UCI Portugal a maioria do crédito concedido é com taxa mista (60%), sendo que apenas 21% tem taxa variável. O responsável referiu que a escolha depende da modalidade dominante nos países de origem, com os franceses a preferirem a taxa fixa e os ingleses, muito concentrados na região do Algarve, a variável.